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Método Natural Mostra Como Acabar Com Azia

Método Natural Mostra Como Acabar Com Azia
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Quando ele vive refém de inflamações, o fogaréu pode se alastrar e comprometer outras redondezas do organismo – dos olhos às articulações. É hora de se defender de um grupo de doenças cada vez mais frequente e com predileção pelos jovens

Intestino em Chamas – como combater

Se um único andar de um edifício pega fogo e os bombeiros não são chamados, há o risco de o prédio inteiro ser consumido pelo incêndio. Guardadas as proporções, a história não é tão diferente dentro do corpo humano, sobretudo quando o intestino é o foco das labaredas. Uma dupla de males ateia uma inflamação crônica nesse órgão, o que destrambelha seu funcionamento e propicia retaliações a distância. Estamos falando das doenças inflamatórias intestinais — nome que reúne a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa —, males em ascensão entre adultos jovens e que são alvo de um novo livro destinado aos médicos do país.

O lançamento da obra, organizada pela gastroenterologista brasileira Dídia Cury e pelo seu colega irlandês Alan Moss, ambos pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, é uma oportunidade de voltar os olhos para problemas sérios ainda pouco conhecidos pela população. “As doenças inflamatórias do intestino têm aumentado nos últimos dez anos e acredita-se que isso não seja apenas fruto do maior número de diagnósticos”, afirma Dídia, que também atua na Clínica Scope, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Já foram identificados diversos genes ligados a elas, mas é provável que o estilo de vida favoreça sua erupção e as crises. “Apesar de ainda não conhecermos os mecanismos exatos, o estresse, o tabagismo e a dieta desbalanceada podem influenciar os sintomas e a gravidade do quadro”, aponta Moss.

As estimativas mostram que essas enfermidades são muito mais comuns no Ocidente — e, ao que tudo indica, os hábitos deste lado do globo pesam a favor de novos casos. Além disso, corre a hipótese de que a adoção de medidas de higiene e de extermínio de microorganismos — desinfetantes, vacinas e por aí vai — repercuta negativamente no corpo de pessoas com propensão a tais doenças. Sem vírus e bactérias para enfrentar, o sistema imune delas passa a descontar na flora intestinal (veja imagem abaixo). E aí nasce o incêndio, alerta Dídia:

“Estamos diante de problemas complexos, com diversas manifestações, e que precisam ser acompanhados porque comprometem a qualidade de vida”

Como já adiantamos, um intestino em chamas representa ameaça a outros cantos do corpo. “Tanto a doença de Crohn quanto a retocolite podem ocasionar manifestações fora desse órgão”, afirma a cirurgiã do aparelho digestivo Angelita Habr-Gama, professora da Universidade de São Paulo e médica do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, na capital paulista. E, por incrível que pareça, às vezes um sinal na periferia aparece antes mesmo do rebuliço dentro da barriga. “Há pessoas com dores nas articulações motivadas pelo problema que só apresentam mais tarde os sintomas no intestino”, conta Dídia Cury. Essa situação nos permite imaginar a dificuldade em fazer o diagnóstico precoce.

As doenças inflamatórias não poupam os olhos, o fígado nem os rins. Até cálculo renal elas patrocinam! “Nessas condições, há muita perda de líquido por causa das diarreias e um aumento na absorção de oxalato, substância que, na urina, pode se transformar em cristal”, explica o nefrologista Nestor Schor, da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp (confira o esquema à direita).

O estado nutricional também é abatido. “Dependendo da região do intestino afetada, temos um prejuízo na absorção de vitaminas e outros nutrientes”, observa o gastroenterologista Renato Duffles Martins, também da Unifesp. São razões de sobra para procurar um especialista se houver suspeita de um dos males.

“Para fecharmos o diagnóstico, recorremos a exames de imagem, de sangue e métodos como a colonoscopia“, informa Dídia. Detectado o martírio, a ciência dispõe de meios cada vez mais eficazes para controlá-lo (veja o quadro abaixo). “É difícil falar na cura dessas doenças, mas estamos aprendendo melhor o papel da flora intestinal e como suas alterações repercutem no processo inflamatório”, avalia Alan Moss. Aliado ao tratamento e ao acompanhamento médico, o estilo de vida pode intensificar o socorro ao intestino — daí a recomendação de seguir um . cardápio equilibrado, praticar atividade física, aliviar o estresse e não fumar. “Se o problema está controlado, o indivíduo pode levar uma vida normal”, diz Angelita. Só é preciso ficar atento para que o incêndio permaneça apagado.

Como acabar com queimação no intestino

Há um extenso arsenal terapêutico contra as doenças inflamatórias intestinais. “Mas a resposta ao tratamento varia muito entre os pacientes”, já adianta Angelita Gama. A primeira frente de batalha é composta de drogas como as mesalazinas e os corticoides. Quando elas não funcionam, entram em cena os medicamentos imunossupressores. Se esses deixam a desejar, a solução é recrutar a terapia biológica. “São injeções que anulam uma substância inflamatória em alta no organismo e, assim, domam a inflamação exacerbada no intestino”, explica Dídia Cury. “Essas drogas mudam, de fato, o curso da doença.” Mas e se todos os fármacos falharem? “Nesse caso, a solução se encontra em cirurgias que podem ressecar ou remover a área acometida pelo problema”, afirma Angelita.

Quais as consequências mais comuns?

Veja onde as doenças inflamatórias intestinais ressoam.

BOCA
A doença de Crohn, em especial, é capaz de disparar aftas recorrentes. Felizmente, tanto para a boca como para o resto do corpo, se o tratamento faz efeito e o intestino volta a estar em paz, todo o organismo fica numa boa.

FÍGADO
As doenças inflamatórias alteram a permeabilidade no intestino e o sangue que passa por lá fica carregado de substâncias estranhas. Quando elas chegam ao fígado, irritam a árvore biliar, complexo de tubos que conduzem a bile. Essa rede fica toda inflamada. E o fígado pode, com o tempo, entrar em falência.

OLHOS
Ainda não se sabe bem o motivo, mas a dupla de problemas inflamatórios propicia desde vermelhidão no globo ocular até quadros de olho seco. Essas condições podem se agravar e levar a lesões que comprometem a visão.

RINS
Quando o intestino anda inflamado, há uma maior absorção de oxalato, substância que, na urina, se precipita em cristais. Soma-se a esse fenômeno a perda de líquido induzida pelas diarreias e eis um cenário propício para a formação de pedras nos rins.

PELE
As doenças inflamatórias intestinais podem causar pequenas lesões de pele, que lembram, inclusive, as erupções típicas da acne. Alguns casos evoluem, no entanto, com manchas escuras que lembram traumas.

ARTICULAÇÕES
Não é incomum ver pessoas com um intestino inflamado reclamando de dores nas juntas. A hipótese é que, em pessoas predispostas, a grande concentração de substâncias inflamatórias no corpo incentive a artrite.

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