Exercícios sobre efeitos de sentido com gabarito

Exercícios sobre efeitos de sentido com gabarito
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Neste artigo você verá uma série de exercícios que ajudarão todos os estudantes que desejam entrar numa faculdade usando a nota do Enem. A interpretação de textos é essencial para conseguir uma boa nota porque são muitos os textos e essa é uma competência bastante exigida neste exame.

“Há frases que todo mundo ouve, e creio que a maioria concorda sem pensar”

João Ubaldo Ribeiro

Texto e exercícios dissertativos sobre efeitos de sentido

Como sabemos, existem muitas frases comumente repetidas a cujo uso nos acostumamos tanto que nem observamos nelas patentes absurdos ou disparates. Das mais escutadas nos noticiários, nos últimos dias, têm sido “não há razão para pânico” e “não há motivo para pânico”, ambas aludindo à famosa gripe suína de que tanto se fala. Todo mundo as ouve e creio que a maioria concorda sem pensar e sem notar que se trata de assertivas tão asnáticas quanto, por exemplo, a antiga exigência de que o postulante a certos benefícios públicos estivesse “vivo e sadio”, como se um defunto pudesse estar sadio. Ou a que apareceu num comercial da Petrobras em homenagem aos seus trabalhadores, que não sei se ainda está sendo veiculado. Nele, os trabalhadores “encaram de frente” grandes desafios, como se alguém pudesse encarar alguma coisa senão de frente mesmo, a não ser que o cruel destino lhe haja posto a cara no traseiro. Em rigor, as frases não se equivalem e é necessário examiná-las separadamente, se se desejar enxergar as inanidades que formulam.

No primeiro caso, pois o pânico é uma reação irracional, comete-se uma contradição em termos mais que óbvia. Ninguém pode ter ou deixar de ter razão para pânico, porque não é possível haver razão em algo que por definição requer ausência de razão.

Então, ao repetir solenemente que não há razão para pânico, os noticiários e notas de esclarecimento (e nós também) estão dizendo uma novidade semelhante a “água é um líquido” ou “a comida vai para o estômago”. Se as palavras pudessem protestar, certamente Pânico escreveria para as redações, perguntando ofendidíssimo desde quando ele precisa de razão. Nunca há uma razão para o pânico.

A segunda frase nega uma verdade evidente. É também mais do que claro que não existe pânico sem motivo, ou seja, o freguês entra em pânico porque algo o motivou, independentemente de sua vontade, a entrar na desagradabilíssima sensação de pânico. Ninguém, que eu saiba, olha assim para a mulher e diz “mulher, acho que vou entrar em pânico hoje à tarde” e, quando a mulher pergunta por que, diz que é para “quebrar a monotonia.”

João Ubaldo Ribeiro, “Motivos para pânico”, 0 Estado de 5. Paulo, 17/5/2009. Extraído da prova do vestibular da Unesp 2010, 1ª fase.

1. O autor do texto faz uma crítica às expressões que contrariam a lógica, como “razão para pânico” ou que são um pleonasmo (repetem um ideia de forma desnecessária), como “encarar de frente”. As expressões “surpresa inesperada” e “há um tempo atrás” poderiam se encaixar entre as críticas do autor? Justifique.

2. Nos períodos “Ao repetir solenemente que não há razão para pânico, os noticiários e notas de esclarecimento (e nós também) estão dizendo uma novidade semelhante a “água é um líquido” ou “a comida vai para o estômago”, qual é o efeito obtido ao ser usada a palavra “novidade” em um sentido contrário ao que apresenta normalmente?

3. O autor escreve, no penúltimo período do segundo parágrafo, a palavra “Pânico” com inicial maiúscula. Que interpretação podemos dar a essa escolha?

Texto e exercícios objetivos sobre efeitos de sentido

4. Na crônica reproduzida acima, o autor João Ubaldo Ribeiro focaliza assuntos do cotidiano com muito bom humor, mesclando a seu discurso palavras e expressões coloquiais. Um exemplo é asnáticas, que aparece em “assertivas tão asnáticas quanto”, e outro, o substantivo freguês, empregado em “o freguês entra em pânico”. Caso o objetivo do autor nessas passagens deixasse de ser jocoso e se tornasse mais formal, as palavras adequadas para substituir, respectivamente, asnáticas e freguês seriam:

a. Estúpidas, panaca.
b. Asininas, bestalhão.
c. Intrigantes, sujeito.
d. Estranhas, cara.
e. Disparatadas, indivíduo.

5. Leia o texto e faça o que se pede:

Carnavalia

Repique tocou
O surdo escutou
E o meu corasamborim
Cuica gemeu, será que era meu, quando ela passou por mim?

ANTUNES, A.; BROWN, C; MONTE, M. Tribalistas, 2002 (fragmento).

No terceiro verso, o vocábulo “corasamborim”, que é a junção coração + samba + tamborim, refere-se, ao mesmo tempo, a elementos que compõem uma escola de samba e à situação emocional em que se encontra o autor da mensagem, com o coração no ritmo da percussão. Essa palavra corresponde a um (a)

a. estrangeirismo, uso de elementos linguísticos originados em outras línguas e representativos de outras culturas.
b. neologismo, criação de novos itens linguísticos, pelos mecanismos que o sistema da língua disponibiliza.
c. gíria, que compõe uma linguagem originada em determinado grupo social e que pode vir a se disseminarem uma comunidade mais ampla.
d. regionalismo, por ser palavra característica de determinada área geográfica.
e. termo técnico, dado que designa elemento de área específica de atividade.

6. (Enem 2009)

Texto 1

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra

Andrade, C. D. Reunião. Rio de Janeiro: José Olympo, 1971 (fragmento)

Texto 2

As lavadeiras de Mossoró, cada uma tem sua pedra no rio: cada pedra
é herança de família, passando de mãe a filha, de filha a neta, como vão
passando as águas no tempo (…) A lavadeira e a pedra formam um ente
especial, que se divide e se reúne ao sabor do trabalho. Se a mulher entoa
uma canção, percebe-se que nova pedra a acompanha em surdina…

Andrade, C. D. Contos sem Propósito. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, Caderno B. 17/7/1979 (fragmento).

Com base na leitura dos textos, é possível estabelecer uma relação entre forma e conteúdo da palavra “pedra” por meio da qual se observa

a. o emprego, em ambos os textos, do sentido conotativo da palavra “pedra”.
b. a identidade de significação, já que nos dois textos,”pedra”significa empecilho.
c. a personificação de”pedra”, que, em ambos os textos, adquire características animadas.
d. o predomínio, no primeiro texto, do sentido denotativo de “pedra” como matéria mineral sólida e dura.
e. a utilização, no segundo texto, do significado de”pedra”como dificuldade materializada por um objeto.

Gabarito dos exercícios sobre efeitos de sentido

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